Flor de Primavera

— Eu, apaixonada? Imagine só! — ri-me ao meu Sol. Justo a mim, que entrego-lhe as flores aos amantes, nunca amar.
O Sol riu.
— Nunca cobiçasse de um terno beijo ou de um jantar a luz de velas? Seja sincera, Dona Primavera, você está sim, apaixonada. Seu perfume nunca fora tão doce nem suas rosas tão vermelhas.
— E a quem eu amaria, raio de Sol? Terra mãe minha é como o Céu pai meu, minhas flores vossos beijos. Sou a própria paixão, pode-se o mar salgar seu paladar?
— Aquela que tu ainda não conheceste. O inverno poe-te a dormir e é o calor da Verão que te desperta, mas e a Dama do Outono? — e então o Sol escondeu-se atrás das nuvens; as flores possuem espinhos.
— Deixe de bobeira, Senhor Sol! Nunca a conheci e mesmo assim hei de saber que não havemos nada em comum. Ela gosta da chuva gelada, nuvens cinzentas e das árvores desnudas. Já eu, amo seus frutos, a brisa dos pomares e o canto dos pássaros.
Por: Gabriel Moreira
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